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20 abril 2011

Epitáfio

Para a família deixo meu braços, para sempre que sentirem minha falta possam me abraçar
Para os amigos deixo meu olhos, para eles poderem assistir tudo o que eu vivi junto deles
Para os dias de calor, deixo a pele desgastada pelo sol dos trópicos
Para os dias de frio, deixo minha jaqueta verde que não me aqueceu, mas me fez sentir bem
Para os dias de ócio, eu deixo os artigos infindáveis que eu não li
Para as noites, eu deixo meus pés, pois só eles sabem os caminhos que eu percorri
Para o computador, ficam meus escritos, que me fizeram tão bem
Para um certo alguém, eu deixo meu coração, pois se há algum mal nele, foi conseqüência do mau uso; e se tiver alguma coisa boa, foi apenas a sua presença
E dela, eu levo os lábios, que por menos tempo que eu tenha habitado aquele ambiente, seu registro permaneceu no "lóbulo frontal do lado esquerdo do meu cérebro" 
Para os ouvidos, eu peço que conheçam melhor uma certa alma gêmea que declarou seu amor de maneira tão sublime que fez um "train" inteiro ficar conhecido pelo mundo.
Para os olhos que ficaram com os amigos, vão junto minhas caixas com cartas, bilhetes e foto, porque são as partes concretas daqueles momentos que eles vão assistir
E o meu cérebro vai para algum instituto de estudos, não porque ele contenha muita coisa, mas para uma explicação de como eu me tornei um Lingüísta sem um amplo conhecimento em Saussure
E quando os meus escritos tiverem de sair daquele computador (em favor da ingratidão das máquinas que fazem questão de expulsar tudo que não lhes serve mais) eu deixo cada pedaço com a pessoa sobre  a qual eu falei. 
Para a chuva eu deixo meu guarda-chuva que me protegeu mais dos outros do que da água
Para o sol ficam meus óculos, que sempre me deixaram escondido por trás das lentes, mesmo transparentes.
Para os amigos em particular, deixo tequilas, postais, crônicas, filmes e discos empoeirados, porque eu sei que dessa forma algo que existe em mim ainda vai poder residir na natureza viva que existe neles.  

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